quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Presença

Será que me sentes deste lado?
Sentes o meu peito a bater por ti
e o meu pensamento falar contigo?
Nos afazeres do dia, vês-me passar por ti?
Como um fantasma impossível,
que passa pelos mesmo lugares que tu.
 
Existe um fio invisível que nos liga
e nos faz estar onde não estamos.
Aqui, onde escrevo, estás também tu.
E no caminho que fazes, pairo sobre ti.
Como uma nuvem serena de presença.
 
Será que me sentes?
Num abraço incorpóreo mas profundo?
Fecha os olhos e deixa-me beijar-te a alma.
 
Eu sei que isso sentes.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A loucura de te amar

A loucura de te amar não me dá um momento de descanso
e sofro na ânsia de querer os teus lábios nos meus,
a cada sôfrego acto de respiração.
Ardem-me as entranhas do peito
e só a explosão em lágrimas me parece próspera.

Sufoco na vontade de sentir o teu abraço
Acordo na certeza do teu amor
Morro na ausência do teu olhar
Renasço na esperança do sabor do teu beijo

Elis

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sorri-me

Sorri-me
e deixo-me sentir o calor que me invade.
Sorri-me
e fico-me com esta vontade de sorrir também.
Sorri-me
e observa o meu peito encher-se de luz.
Sorri-me
e sente o mel que me adoça a boca,
querendo falar-te de amor.
Sorri-me
e vê os meus lábio arderem,
querendo beijar-te.
Sorri-me
e compreende que o teu sorrir é amar!

Elis

sábado, 13 de agosto de 2011

Sentença

O som do vazio...
O som vazio do silêncio? Ou de mim?
O som vazio de mim...

Deste buraco negro em que me transformei.
Esse ser oblíquo, cheio de luz, mas tão perdido.
Como se vê a beleza, depois de descoberta a solidão?

Sinto-me sufocar!
O sangue torna-se líquido espesso,
azedo, podre, sem validade,
massa pestilenta de desperdício,
envenenando-me...

Mas sou eu o veneno de mim.
Sou eu o desamor, o contra-censo,
a corrente de névoa e choro
a sentença do fim, a sentença de mim.

A sentença do meu fim.

Elis

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Dicotomia lírica












(Foto: Elis Moreira)


Sou o cavaleiro armado
Que não desiste do objectivo, e luta, estóico, por sua dama.

Sou a donzela tímida que anseia
Por um poema escrito a mãos suadas e nervosas.

Sou os dois lados de uma personagem confusa e ausente,
Espectro lírico de uma narração inexistente.

Vivo na batalha fria entre o real e o conto de fadas,
Observando o real com o mesmo brilho fantástico do meus lugares inventados.

Elis

quarta-feira, 30 de março de 2011

O teu sorriso

O teu sorriso é um expositor,
mostra da tua meninice.
Espelho de pequeno traquina,
gracioso e amável.

O teu sorriso é uma porta,
através da qual entro em ti.
Nele consigo ver-te,
e banho-me nessa luz interior indescritível

O teu sorriso é uma ponte
que nos aproxima.
Transporta-me para junto de ti,
beija-me os olhos docemente.

Elis

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Deste lado

Deste lado,
sinto-te,
constante e imenso.
Deste lado,
vejo-te,
nítido e presente.
Deste lado,
respiro-te
como ao ar que me envolve.
Deste lado,
aceito a nossa condição,
que me revolta e acalma o peito.

Elis